Sua vida está ótima, tudo dando certo e, de repente, uma bomba cai sobre sua cabeça; e
essa bomba tem nome: câncer. Não, não foi comigo, mas me atingiu de tal forma que ainda estou chocada. Descobri ontem, meio “por acaso”, que uma amiga está com esta porcaria. Uma pessoa linda, que ama a vida e vive intensamente. Justo ela.
Depois de receber esta notícia,
senti vergonha por estar insatisfeita com a minha vida. Tenho tudo para ser feliz. Não tenho o direito de reclamar de nada. Fiquei imaginando como seria se acontecesse comigo. O tratamento é longo, sofrido, as rotinas (do doente e das pessoas que o amam) mudam por conta disso. Tudo é muito difícil. Não sei se conseguiria passar por esta porcaria com
o sorriso que eu sei que a minha amiga mantém no rosto.
Por coincidência, recentemente, li um livro que a blogueira Carol Daixum me emprestou. Chama-se
“Coisas para fazer antes dos 30” e trata exatamente de uma jovem que descobre por acaso que tem câncer de mama. A partir daí, sua vida muda completamente e ela vai narrando em seu blog (que virou o tal livro) toda a difícil rotina do tratamento. O caso é real e, desde então, tenho estado com isso na minha cabeça: um dia você está ótima, e no outro acorda com câncer – a doença do século XXI. Como assim?! O que fazer?!
Viver mais e melhor antes de qualquer diagnóstico ruim. Que assim seja.
Depender das pessoas é um saco. Forte isso né? Mas é verdade. No último domingo, por exemplo, organizei uma sessão de cine debate com mais uma pessoa do centro que frequento. Ficamos exatamente um mês entrando em contato com algumas pessoas para ver quem poderia trabalhar (voluntariamente) no evento, pois sozinha não damos conta de tudo (cantina, projeção, livraria, recepção, caixa, sorteio, avaliação etc.). Algumas não quiseram e outras aceitaram o trabalho logo de cara.
Três dias antes, resolvi confirmar a presença com todos os trabalhadores e eis que um dá para trás. Como assim?! Bom, resolvida esta questão tudo certo para a sessão, certo? Nããão. Menos de duas horas antes do filme começar, quem deveria ficar na projeção não dá sinal de vida e quem deveria deixar o lanche pronto no local de sempre, resolve que a cantina não vai abrir por tais e tais motivos e que a comida deveria ser servida em outro lugar.
Resumo da ópera: se conduzir uma equipe remunerada já é complicado, imagina pedir comprometimento de pessoas que não ganham um centavo para trabalhar num domingo à tarde? Bom, na minha opinião, compromisso é compromisso, seja ele pago ou não. Se disse que ia fazer, então que faça ou encontre alguém para substitui-lo à altura. Mesmo com esses pequenos probleminhas, deu tudo certo. Mas como já estou saturada de algumas coisas, acho que esse foi meu terceiro e último cine debate. =/
Sim, eu tenho
medo de baratas, na verdade, pânico (e minha amiga Rê Petti soube bem disso quando a fiz pegar um
bus só para matar uma baratinha lá em casa). Eu também tenho
medo de altura (jamais me convide para dar uma volta numa roda gigante). E sim. Eu tenho
medo do futuro.
Dizem que esse tal futuro a gente faz agora, no presente. Mas é aí que mora o problema. Quando a gente não faz nada porque não sabe o que fazer, como fica?
O futuro deixa de existir? O tempo tem passado tão depressa que me faz ficar apavorada com o que me espera se eu não fizer nada AGORA. Com a minha idade meu pai já era casado, tinha dois filhos, o emprego na empresa onde trabalha até hoje e o próprio apê. E eu? Não me vejo sendo mãe, não tenho certeza se quero continuar na profissão que escolhi, sinto que na empresa onde estou só vou crescer para os lados e meu apêzinho ainda está no esqueleto.
Jogar tudo para o alto e pegar outro caminho? Sorry! É que eu sou uma virginiana metódica; tudo meu é muito bem calculado, não consigo dar um passo sem antes ter certeza de que não vou me arrepender (e se me arrepender, terei uma opção segura para me salvar). Vai ver que tudo que eu mais preciso nesse momento é pegar um caminho completamente diferente deste que escolhi, arriscar infinitamente mais sem medo de errar
(e ser feliz - ainda que apenas por alguns minutos).
Carpe diem! Acho que vou colar um
post-it com isso no espelho do banheiro. =)