Sincer Ramalho

Quem é que nunca foi ou viu alguém ser ignorado ou humilhado por coleguinhas na escola pelo fato de ser "diferente"? Fico sempre indignada e também triste sempre que vejo alguém humilhar ou, simplesmente, ignorar uma pessoa por ela não estar dentro dos padrões do que a sociedade considera normal. Já presenciei fatos assim várias vezes na escola, na faculdade, em cursinhos, sendo duas delas na casa espírita que frequento: um lugar onde, teoricamente, não existe preconceito e, muito menos, discriminação.

Miguel é um senhor bem legal e, visivelmente, especial. De cara dá para perceber que ele tem um certo retardo na fala e também mental, mas nada que lhe tire totalmente a inteligência e educação que deve ter recebido dos pais. Mesmo assim, o que vi por duas vezes foram pessoas ignorando ele, sem a menor paciência para ouvi-lo. A primeira foi no seminário do grupo jovem adulto do qual participo. Ele pediu a palavra e não parou mais de falar. Tudo bem, precisamos mesmo controlar as pessoas, senão elas monopolizam o tempo do encontro, mas cortar o barato dele poderia ser da mesma forma que fazem com os demais participantes: agradecendo o comentário e usando-o como gancho para o próximo assunto (isso faz a pessoa se sentir um pouco importante). Mas não foi dessa forma que agiram com ele. Simplesmente disseram: "Está bem, Miguel." e puxaram outro assunto.

A segunda vez parece ter sido pior. Enquanto uma mulher conversava comigo (e ela fala pelos cotovelos), ele nos interrompeu para pedir uma informação à ela. A senhora, simplesmente, o ignorou por três vezes. Como? Como ela conseguiu ser tão mal educada? Não sei qual é o problema do Miguel, mas é claro que não é por livre escolha que ele é assim. Um certo dia parei para conversar com ele enquanto a aula de pintura não começava e percebi que o Miguel é uma pessoa gentil e bem legal; um lado que muitos não conhecem por ignorarem sua presença. As pessoas deveriam ser mais educadas e dar mais atenção a quem apresenta qualquer tipo de deficiência mental. Elas precisam e, principalmente, merecem. Podemos aprender muito com elas se lhes dermos um segundo do nosso "precioso" tempo.
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